Como se
escreve uma carta de suicídio? Bem, se está lendo e ainda não estou morta, me
perdoe pelo meu fracasso, deveria ser lida apenas após a minha morte. Já faz
algum tempo que me sinto assim: sozinha, deprimida e sem esperança. Sabe o que
é pior nisso tudo? Ninguém percebe, e as raras exceções, quando percebem, optam
por me julgar. Não que isso seja novidade, claro. Com o tempo a gente aprende a
lidar, ou melhor, aprende a fingir que aprendeu a lidar.
A tristeza me persegue sorrindo. Irônico.
Por mais que eu me perca por esses labirintos da minha mente, ela sempre me
acha. Uma vez me disseram que não se pode correr atrás da felicidade, ela que
vem atrás de você. Entra de mansinho por um buraco feito pelas pessoas no seu
coração e fica lá, até você se permitir ser feliz. Acredite, por mais estranho
e deprimente que seja, ela sempre encontra um caminho para fugir de mim, nem
que seja contramão.
Me calei para o bem de todos. Sou como uma
arma carregada de balas infinitas que quando atirar, fará um ferimento grave.
Palavras podem atingir até os que já foram atingidos.
Quantas mágoas um sorriso pode esconder?
Conte as estrelas, o máximo que puder, e multiplique por 100. Ainda acho que a
imensidão de mágoas nadando no oceano de lágrimas dentro de mim é maior.
“A
vida é como mãe que faz o jantar e obriga os filhos a comer os vegetais porque
sabe que faz bem. E a morte é como pai que bate na mãe e rouba os filhos do
prazer de brincar como se não houvesse amanhã.”